segunda-feira, 10 de setembro de 2018

uma marreta, uma tesoura e um prego torto

O medo se traveste de racionalidade para nos enganar.

O sentimento de medo é uma proteção que, de tão importante, se manteve em nós mesmo depois de milhares de anos de evolução. Ele salvou a nossa vida várias vezes, bem como a vida de nossos ancestrais.

Imagine a cena: 150 mil anos atrás, dois exemplares da espécie humana (não vou lembrar qual vivia na época) estão em uma vasta savana no continente africano, quando, de trás de uns arbustos secos, saí um animal de cor amarelada, mostrando seus grandes dentes como se estivesse sorrindo, pouco maior que um cão de porte médio. Era uma hiena. Os dois humanos não sabem o que é aquilo, nunca viram antes tal criatura. Ambos são tomados pelo medo, já que o animal parecia agressivo, só que em um deles o medo é menor e ele resolve ir para cima do animal, vendo naquela ocasião uma oportunidade de conseguir um pouco de carne. O outro, por sua vez, foge e se esconde. O corajoso, portando uma primitiva lança com ponta de pedra, consegue ferir o animal, mas o que ele não contava é que haviam outros por perto. Em segundos, ele se viu cercado pelo restante do grupo, percebendo que o animal que ele havia ferido se tratava apenas de um exemplar muito jovem, já que os outros eram bem maiores e mais agressivos. O final da história todos já podem imaginar, o corajoso acabou virando alimento, enquanto o medroso teve mais uma chance.

Em uma outra situação, o corajoso poderia ter encontrado, ao invés de hienas, um cervo. Poderia ter matado o animal e conseguido alimento para si, enquanto o medroso poderia morrer de fome.

Então tudo é uma questão de equilíbrio.

Entretanto, é bastante difícil saber quando é o medo que fala e quando é, realmente, a razão.

Essa questão nos acompanha até hoje, quem nunca deixou de fazer algo porque parecia racionalmente certo, mas, depois de um tempo, percebeu que era apenas o medo?

Parece que o tempo é a melhor resposta pra questão, mas, infelizmente, pode acontecer de ser tarde demais.

Dilemas da humanidade. E, obviamente, eu não ficaria de fora disso. Life is a bitch.

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