sábado, 22 de setembro de 2018

qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços?

Eu entendo completamente a existência de "gatilhos mentais" que trazem de volta certas coisas. Esse mecanismo é bastante usado e citado por quem estuda PNL (Programação Neurolinguística).

Nesse tipo de contexto os gatilhos são usados para, digamos, despertar um estado mental de autoconfiança e desinibição. Cada pessoa utiliza para um fim, alguns para perder inibição ao falar em público, outros para terem mais clareza nas decisões e tem até os virjão que pensam que isso vai ajudar eles a se darem bem com mulheres.

Só que a PNL não criou esse gatilhos, eles apenas utilizam de algo que já existe no nosso cérebro pra um fim específico.

Os tais gatilhos são aquelas coisas que te fazem lembrar de algo, como um perfume que, quando você sente, te lembra alguém que você gosta ou uma música que te faz relembrar seus amigos.

Só que tem o lado sombrio da coisa.

Por vezes o gatilho te traz lembranças ruins, coisas que você talvez até já tivesse "esquecido". Sempre lembro de um colega de trabalho que foi pego de refém em uma rebelião. Na ocasião ele ficou em uma cela junto com algumas mulheres (visitantes, parentes de presos). Ele foi libertado e tal, mas é um choque muito grande esse tipo de acontecimento, então ele ficou com um trauma. Haviam vários gatilhos que o faziam lembrar do ocorrido, um deles, que era o mais curioso, era sentir o cheiro de certo creme de cabelo. Aparentemente uma das visitas estava usando um creme de cabelo com cheiro muito característico e isso ficou marcado nele. Quando a esposa dele vai comprar um creme de cabelo, ele abre o pote e cheira antes, se o cheiro lembrar aquele daquela mulher do fatídico dia eles não compram. (a história é bem mais pesada que isso, mas não vou me estender)

Dito tudo isso, posso afirmar que, atualmente, parece que está ocorrendo um daqueles tiroteios dos filmes do Rambo na minha cabeça, de tanto gatilho sendo disparado hahahahaha (estou rindo, mas é de desespero)

Tem tanta coisa ativando tanto gatilho que, em seguida, ativa outro e outro... Quando eu vejo estou repassando minha vida toda na cabeça, tentando entender várias coisas que ficaram com um enorme ponto de interrogação na frente.

Conversando com duas pessoas sobre isso, notei que é algo comum, ao menos em homens. A raiz do problema passa por muitas variáveis, difícil mesmo de identificar com exatidão.

Uma das principais coisas é conseguir perdoar.

E eu não estou falando só de perdoar os outros, falo de conseguir me perdoar também. O perdão não é esquecer algo que te fizeram (ou que você se fez), é tirar das suas costas o peso de algo que você não deveria estar carregando.

Eu já perdoei muitas coisas na vida, mas teve um ponto crítico da minha história que eu perdi essa capacidade.

E eu nem vejo isso como uma questão religiosa ou transcendental, até porque não sou nem um pouco religioso, penso mais como uma forma de encarar a vida mais saudável, assim como seria praticar exercícios com regularidade e se alimentar bem.

Não tem como dizer que sou saudável se eu não consigo me libertar das mágoas.

Comecei a pensar sobre isso esses dias com o Yom Kipur que é o Dia do Perdão na cultura judaica. Não entrei em detalhes, mas parece que eles ficam 25 horas em jejum, fazendo orações, sem banho, sem usar aparelhos eletrônicos, sem sexo e sem nada que possa lhes trazer conforto. Aparentemente a idéia é causar sofrimento ao corpo para que a mente se liberte da raiva e outros sentimentos ruins, para que a pessoa possa pedir perdão pelos próprios erros e perdoar os erros dos outros.

É um ritual religioso, mas achei bonita a motivação.

Falar sobre essas coisas é bom, traz um certo alívio e nos faz refletir sobre se estamos exagerando, se estamos sendo justos ou se estamos sendo idiotas.

Aos poucos eu vou conseguindo. Eu preciso.

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