Vamos lá.
Paralela a história principal, tem a história da Mary (personagem da Kirsten Dunst) com o doutor responsável pela criação do método de apagar memória.
Pelo que se entende, eles tiveram um caso e ele, pra não perder a sua esposa, convenceu ela a fazer o procedimento.
Só que a história se repete, ela se apaixona por ele novamente. Por quê?
Bom, foram apagadas memórias, mas se ela continuou trabalhando com ele, logicamente as mesmas coisas que fizeram ela se apaixonar num primeiro momento acabariam acontecendo novamente. Bastante intuitivo, na verdade. Se fosse ver "o certo", ela teria que nunca mais ter contato algum com ele.
Já no caso da Clementine fica tudo um pouco mais abstrato.
Imagine uma pessoa que você se relacionou por algum tempo, uma relação próxima. Vamos supor que você tenha uma super memória e consiga lembrar de todos os itens físicos que tem alguma relação com ela e que todos os momentos ligados aqueles objetos fossem apagados. Suponhamos, também, que não fosse só a pessoa apagada e si todo o momento que aquilo ocorreu.
Focando em apenas um momento,você se encontrou com a pessoa em um parque, conversaram, jogaram pedras no lago, observaram as estrelas, etc. Tudo isso durou das 15:00h até as 21:00h. Se aquele momento todo for apagado, caso você se lembre daquele dia por algum outro motivo (trabalho, conversa com alguma outra pessoa importante, etc), você vai perceber que tem algo errado, vai ter um branco ali no meio "Peraí, o que eu fiz das 14:30h até as 21:30h?"
Seria como uma amnésia alcoólica forte. E quem já sofreu disso, sabe que, apesar de você não lembrar do que aconteceu naquele intervalo, você sabe que tá faltando algo ali.
Isso sem contar das coisas mais abstratas que nos ligam a outra pessoas. Eu não conseguiria listar, nem que eu quisesse e tentasse muito*, listar tudo que me faz lembrar uma pessoa que tenha sido minimamente importante na minha vida. A memória em si não funciona assim. Perdi as contas de quantas vezes uma série de situações combinadas geraram um gatilho de memória em mim. Coisas que, isoladas, não teriam causado isso.
O que quero dizer é que, apesar de ser tão poético a cena em que o novo namorado dela (que está imitando o Joel) fala algo pra ela no lago congelado e ela levanta e vai embora como se algo tivesse errado, não foi a entidade AMOR que fez isso, acontece que o Joel não tinha sido totalmente apagado.
A única maneira de você apagar totalmente uma pessoa é você excluir TODO O PERÍODO, do dia que você a conheceu até o dia que você passou pelo procedimento. Seria como acordar de um coma.
Me parece um preço alto demais.
GENTE, POR FAVOR, eu sei que o filme não quer ser cientificamente acurado, é muito mais sobre uma questão filosófica das relações entre pessoas do que qualquer outra coisa. E, nesse quesito, é um filme maravilhoso.
Possivelmente ficou parecendo que eu racionalizei a porra toda, mas foi isso mesmo. Sou desses.
É que já faz alguns dias que assisti o filme, então eu já vesti minha armadura novamente hahahahaha!
Vai ter uma terceira parte, talvez seja a mais pesada, mas não sei quando vou postar.
(*) Estava tocando "In the End" e, bem na hora que escrevi "tentasse muito", o Chester cantou "I tried so hard". Achei uma coincidência engraçada.
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