Estou aqui ouvindo um Nelson Gonçalves. É uma playlist com Belchior, Cartola, Cassiano e outros.
Pesado demais.
Mas não tanto quanto o filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças que, como dito na postagem anterior, eu assisti ontem. Pra facilitar, vou referenciar o nome do filme apenas como BEMSL.
Bom, no começo do filme eu pensei várias vezes que, ao contrário do que dizia uma comunidade do Orkut chamada "Eu sou igual ao Joel Barish" que eu participava, eu não sou igual a ele.
"Cara, eu nunca faria isso"
"Eu jamais falaria tal coisa"
"Que atitude besta"
(Eu ia fazer um referência a um episódio de Cavaleiros do Zodíaco, onde o Seiya enfreta Misty de Lagarto, mas eu ia acabar me enrolando)
Acontece que tem traços da personalidade dele que eu me reconheço. Acho que é um personagem feito pra isso, pro maior numero de pessoas se reconhecerem de alguma forma.
Quando começa o processo de apagar as memórias e tem as cenas dele com a Clementine e ela sumindo (ou sendo arrastada, como na parte que eles estão sobre o rio congelado) é que a coisa fica séria. Chega o ponto em que ele pede pra que tal lembrança não seja apagada.
"Por favor, essa não, me deixa só essa"
Mas não adianta.
Ele, então, começa a lutar dentro da própria mente pra tentar salvar as lembranças da Clementine, também sem sucesso. Estava tudo mapeado, o operador da máquina, apesar de estar bêbado e drogado, tinha uma série de alvos que eram eliminados um a um.
Ainda lutando, ele tenta levá-la pra lembranças onde ela não estava originalmente, pra fugir do mapeamento. E, olha só, deu certo. Por pouco tempo.
(Aqui entra uma questão de ética médica, se aquilo nunca tinha acontecido antes, o certo era ter abortado o procedimento de alguma forma, caso isso não acarretasse no Joel virar um vegetal)
É uma sequência de cenas bem fortes que culminam no Joel aceitando que não vai conseguir parar a "deleção" das memórias, finalizando na pesadíssima cena da casa da praia se desfazendo com eles ali dentro, onde o Joel vai embora.
Ali, não havia mais memórias, porque ele foi embora. Mas ele queria ter ficado. Ela queria que ele tivesse ficado também.
Clementine: "Eu queria você tivesse ficado"
Joel: "Eu queria ter ficado também. Agora eu queria ter ficado. Eu queria ter feito um monte de coisas. Eu queria... Eu queria ter ficado. Queria sim"
(...)
C.: "E se você ficasse dessa vez?"
J.: "Eu saí pela porta. Não sobrou nenhuma memória"
C.: "Volte e faça uma despedida, pelo menos. Vamos fingir que tivemos uma"
Nossa.
Eu também queria ter ficado. Eu também queria ter feito um monte de coisas. Acho que, no fim, eu sou mais parecido com ele do que eu pensava que era.
Vou revisar o texto depois, sem condições agora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Qualquer comentário aqui será arbitrariamente ignorado.