domingo, 22 de dezembro de 2019

Dias atrás pensava em você citei aqui, ou talvez no HaN, que estava pensando em rever Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Como não tinha na Netflix e eu não achei (não procurei) o CD:DVD onde gravei o filme cerca de uma década atrás, acabei assistindo outro e meio que esqueci o assunto.

Só que hoje (ontem) eu estava ouvindo um podcast de ciências com temática histórica (no caso era sobre o Império Bizantino) e na leitura de emails eles recomendaram um episódio de um podcast sobre cinema, onde o tema era justamente o tal filme.

Apesar de não concordar com vários pontos ditos no cast, uma coisa parece ser unanimidade: O sentido do filme muda cada vez que você o assiste, especialmente quanto ao modo que você se identifica com algum dos personagens.

A parte que menos concordei com eles foi de terem dito que os sentimentos possam habitar outra parte do corpo que não o cérebro. Disseram isso porque, no filme, mesmo tendo a pessoa apagada da memória, os dois voltam a se encontrar e a sentir algo um pelo outro (também acontece com a personagem da atriz que fez a Mary Jane, claro que não vou lembrar o nome). Incutiram esse fenômeno ao tal amor que transcende as fronteiras da mente, como se houvesse qualquer ligação metafísica entre eles, ignorando fatos conhecidos, onde os sentimentos são apenas reações químicas, ligações sinápticas mediadas por neurotransmissores e produção de hormônios por diversas glândulas, como a ocitocina excretada pelo hipotálamo.

Veja que isso não torna os sentimentos menos bonitos, menos importantes ou menos fortes. Apenas não há nada transcendental.

A alegoria do filme pra demonstrar o processo de apagar uma memória é realmente muito forte. Bem como é dito na película, é um dano cerebral. Sabe o que mais causa dano cerebral e perda de memória? Alzheimer. Só que seletivo e que não progride pra demência e morte.

Enfim, acho que fui muito racional aqui, a análise dos caras foi boa, era o entendimento de cada um e todos tem o direito de pensar de forma diferente (ainda que estejam errados com relação aos pontos acima), mas a arte é isso, ela serve pra nos tirar um pouco do racional, clínico, técnico, etc.

Bem como indicado no podcast, vou reassistir o filme (agora vou mesmo, pela Amazon Prime Vídeo) e depois fazer uma nova postagem, tentando deixar um pouco a ciência de lado, ainda que seja algo bem difícil pra mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qualquer comentário aqui será arbitrariamente ignorado.