Eu vou falar disso novamente porque foda-se.
(Só pra não ter que explicar sobre no meio do texto: Quando você procura uma música no Spotify e coloca ela pra tocar, assim que ela termina o algoritmo cria uma lista chamada "Rádio de Músicas baseada em x", onde x é a música que você colocou pra tocar.)
Estava me sentindo meio cansado ontem lá pelas 18:00h, me deitei e lembrei que queria ouvir uma determinada música do Silverchair. Depois que ela acabou (e começou a tocar a rádio dela), vieram várias outras músicas da mesma época/estilo.
Eu estava deitado, com a janela aberta, luz apagada, olhando o céu ficar cada vez mais escuro, ouvindo música.
Imediatamente me veio a sensação de que 17 anos atrás eu possivelmente estava deitado no mesmo lugar, olhando pela mesma janela, pro mesmo céu, talvez ouvindo as mesmas músicas (só que no meu walkman, não em um smartphone).
Senti que eu poderia me levantar e ir lá fora, sentar com meus amigos no banco de concreto que tinha aqui do lado, falar sobre nada, falar sobre tudo. Combinar de sair hoje, marcar para as 21:00h, mesmo sabendo que meu primo ia atrasar e só sairíamos por volta das 22:00h. Eu iria olhar pra cima e dizer "Ah, pode chover, nem vamos sair amanhã mesmo", numa brincadeira recorrente nossa de que tínhamos que enganar São Pedro pra ele não fazer chover no final de semana.
Uma curiosidade, o banco não existe mais e nem chove mais nos finais de semana.
E 2003 foi logo ali. E eu sempre me lembro desse ano.
Aliás, sempre que lembro de coisas boas eu me lembro de 2003 e eu estava pensando sobre os motivos disso.
Acho que foi o último ano onde, na minha percepção atual, o balanço entre coisas ruins e coisas boas que aconteciam comigo estava desequilibrado para o lado bom. Quer dizer, aconteciam mais coisas boas do que ruins.
Eu sabia que a vida era difícil, que era dura, mas só fui começar a entender o quanto a partir do ano seguinte. Dali pra frente a balança desequilibrou pro lado ruim.
Cara, essas coisas são difíceis de escrever.
São coisas tão pessoais que teria dificuldade até pra escrever num caderno que eu fosse queimar logo em seguida (aliás, tenho um caderno aqui que nunca ninguém viu e que estou pensando em queimar pra que continue assim).
Estou há quase uma hora escrevendo essas poucas linhas.
Não é saudade, saudade é outra coisa. É mais uma vontade de voltar no tempo e falar pro Bruno de 2003 "Cara, daqui pra frente vai dar merda, aproveita o que você tem aí enquanto pode."
Sim, eu sei que algo assim mudaria a linha do tempo e blá blá blá vai tomar no seu cu. É só um sentimento, porra.
Ahhh, não estou conseguindo expressar o que eu queria completamente, mas é isso, amanhã eu reviso o texto.
"Estive trancado em sua caixa em formato de coração por semanas..."
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