sábado, 2 de fevereiro de 2019

nunca tomei balalaika conscientemente

Ontem eu li uma reportagem sobre idosos japoneses que cometem crimes.

Só que não é só isso, o problema é a motivação para tal.

Basicamente, a aposentadoria básica paga pelo governo não é suficiente pra suprir os custos de vida destes idosos (afinal, o custo de vida lá é alto). Junte isso ao fato de que muitos filhos abandonam suas cidades menores pra ir procurar oportunidades em cidades maiores, deixando os país pra trás, e temos um cenário onde se juntam solidão e pobreza.

Eles cometem pequenos crimes de furto, que lá são punidos com prisão mesmo sendo pequenos delitos, e vão pra cadeia, onde tem onde morar, tem comida, assistência médica e, de certa forma, companhia.

LINK DA MATÉRIA NO UOL

Não vou nem entrar na questão de que sairia bem mais barato pro governo criar casas de apoio pra essas pessoas idosas, a questão nem é essa.

A minha geração é uma geração que vai ficar velha daqui 30~40 anos e, apesar de eu achar que não chegarei a tal idade, fico muito comovido com esse tipo de situação porque é o tipo de coisa que aconteceria comigo de certa forma. Nem digo por causa de dinheiro, mas sim de ficar sozinho.

Apesar de já ter tido essa vontade, eu não consigo me ver nas próximas décadas como a maioria das pessoas se vê: Casado, com filhos, netos, almoço com a família no domingo, etc.

No máximo, um futuro como o deste clipe que acho muito forte.

Essa questão do abandono é muito complicada e tem se tornado comum tanto lá quanto no resto do mundo. Uma outra matéria que vi anos atrás, também do Japão, era sobre pessoas acima dos 60 que viviam sozinhas e que, quando morriam, ninguém notava até o cheiro começar a chegar na vizinhança toda.

Tinha até uma empresa especializada na remoção dos corpos que normalmente estavam em estágio MUITO avançado de decomposição e nem a polícia/bombeiros conseguiam entrar na casa.

Eu não acho que chegarei a tanto, só pra deixar claro.

Mas nos últimos anos eu meio que fiz questão de afastar ou me afastar do máximo de pessoas possível. Tem gente que eu via todos os dias e que agora eu vejo anualmente.

Fazendo uma breve pesquisa no meu HD (cérebro) eu não consigo identificar onde ocorreu esse "ponto de ruptura" que me fez ficar assim, já que antes eu adorava estar perto das pessoas.

Ah, que merda, na verdade eu não to conseguindo sintetizar o que eu queria dizer.

Mais pra frente eu vou tentar voltar nesse assunto, preciso pensar sobre.

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